NECROPOLÍTICA E DIREITO: O ESTADO COMO AGENTE DE PRODUÇÃO DA MORTE NO BRASIL

Conteúdo do artigo principal

Daniel Pereira Alves
Francisco Atualpa Ribeiro Filho

Resumo

O presente artigo analisa a atuação do Estado brasileiro como agente ativo na produção da morte, evidenciando como políticas públicas e decisões jurídicas operam, de forma seletiva, sobre corpos negros, pobres e periféricos. A partir da teoria da necropolítica, desenvolvida por Achille Mbembe (2018), investiga-se o modo pelo qual o Direito, sob a aparência da legalidade e da neutralidade institucional, contribui para a legitimação da violência estatal e da exclusão social. O estudo dialoga criticamente com contribuições de Michel Foucault (2010), Frantz Fanon (1968), Djamila Ribeiro (2017; 2019), Silvio Almeida (2019), articulando os conceitos de biopolítica, racismo estrutural e seletividade penal para compreender as dinâmicas contemporâneas de gestão da vida e da morte no Brasil. Diante disso, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise de dados públicos, incorporando o storytelling jurídico como estratégia de sensibilização e problematização acadêmica. Sustenta-se a hipótese de que o Direito brasileiro, longe de assegurar a dignidade humana de forma universal, tem funcionado como instrumento de regulação necropolítica, seja por meio da repressão penal seletiva, seja pela omissão deliberada diante da vulnerabilidade social. Sendo assim, a necropolítica constitui uma racionalidade institucionalizada no Estado brasileiro, demandando a reconfiguração crítica das práticas jurídicas e das políticas públicas à luz de uma perspectiva antirracista, democrática e comprometida com a centralidade da vida.

Detalhes do artigo

Como Citar
ALVES, D. P.; RIBEIRO FILHO, F. A. NECROPOLÍTICA E DIREITO: O ESTADO COMO AGENTE DE PRODUÇÃO DA MORTE NO BRASIL. Revista Eletrônica Multidisciplinar de Investigação Científica, Brasil, v. 5, n. 23, 2026. DOI: 10.47402/remici.v5n23262626. Disponível em: https://www.remici.editorapublicar.com.br/index.php/revista/article/view/878. Acesso em: 23 out. 2026.
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Daniel Pereira Alves, FCP

Graduando pela Faculdade do Cerrado Piauiense - FCP no curso de Bacharelado em Direito. Pesquisador no Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC-FCP) - Com o título do projeto: Crimes virtuais Frente à lei geral de proteção de dados. 

Referências

Almeida, S. L. de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

Brasil. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/-constituicao.htm. Acessado em: Maio. 2025.

Brasil. Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016. Altera o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para instituir o Novo Regime Fiscal e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2016. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consti-tuicao/emendas/emc/emc95.htm. Acessado em: Maio. 2025.

Costa, R. F. de A. Racismo estrutural na guerra às drogas: o caso do Habeas Corpus 208.240/SP e a jurisprudência estadunidense. Boletim IBCCRIM, São Paulo, 2024. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/854. Acessado em: Set. 2025.

Fonseca, A. D. Genocídio indígena no Brasil: racismo de estado e necropolítica em tempos pandêmicos. Editora Thoth, 2024.

Fonseca, L. Encarceramento em massa e necropolítica. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 29, n. 3, p. 195–212, 2021. DOI: 10.35699/2238-037X.2020.26144. Disponível em: https://peri-odicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/26144. Acessado em: Jan. 2026.

Foucault, M. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Atlas da violência 2018-2023. Brasília, DF: Ipea, 2021. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/19/atlas-da-violencia-2021. Acessado em: Maio. 2025.

López, A. E. La nueva gubernamentalidad necro política de las migraciones: del régimen de deportación al régimen de desplazamiento forzado interno. InterNaciones, [S. l.], v. 1, n. 29, p. 89–116, 2025. DOI: 10.32870/in.vi29.7302. Disponível em: https://www.internaciones.cucsh.udg.m-x/index.php/inter/article/view/7302. Acessado em: Jan. 2026.

Mbembe, A. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

Ribeiro, A. C. Neoconservadorismo e necropolítica: a exclusão da modalidade discriminação religiosa do disque 100 no governo Bolsonaro. 2021. Dissertação. Disponível em: https://repositorio.pucsp.br/handle/handle/24700 Acesso em: Jan. 2026.

Ribeiro, D. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Souza, N. S. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Graal, 1983.

Silva, J. Segurança pública e necropolítica nas periferias: entre o fogo cruzado e o Estado Democrático de Direito. Revista Metaxy, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, 2023. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/metaxy/article/view/64677. Acessado em: Maio. 2025.

Wünsch, C. G.; Kantorski, L. P. La atención a las crisis psíquicas durante la pandemia de covid-19 a la luz de la necropolítica. Cogitare Enfermagem, v. 29, p. e92195, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/ZJp7dGcnT6C4b5GsVnjfXkJ/?lang=es. Acessado em: Jan. 2026.