MORTALIDADE MATERNA NA BAHIA CAUSADA POR SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este trabalho procurou compreender e identificar o perfil epidemiológico dos óbitos maternos por Síndromes Hipertensivas Gestacionais (SHG) no estado da Bahia. Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo, epidemiológico do tipo ecológico de caráter quantitativo, com o perfil descritivo transversal do estado da Bahia. Resultados e Discussão: Reuniu-se evidências científicas do período de 2017 a 2023. Conforme os dados de óbitos maternos por SHG coletados no DATASUS, a faixa etária com predomínio de óbitos foi a 30-39 anos representando 44,25% do total. A maior mortalidade foi de mulheres pardas representando 61,5%. A pré-eclâmpsia é uma das doenças contidas nas SHG e ocorre na magnitude de aproximadamente 10% nas gestações no Brasil, sendo a principal causa de morte materna, essencialmente quando se apresenta, como a eclâmpsia e a Síndrome HELLP. Neste contexto, considerando a alta porcentagem de óbitos maternos no último ano, a região Nordeste se destaca negativamente em relação à qualidade e/ou oferta dos serviços de saúde à gestante. Conclusão: Fica evidente, que a desigualdade socioeconômica impera no estado, pois as mulheres as quais mais tiveram complicações por SHG e óbitos foram: pardas, na faixa etária de 30 a 39 anos, com desfavorecimento socioeconômico, sem ensino superior e solteiras. Dessa forma, é de extrema importância a implementação de políticas públicas para reparar esse triste quadro da mortalidade materna evitável.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Referências
Barreto, B. L. Perfil epidemiológico da mortalidade materna no Brasil no período de 2015 a 2019. 2021. Revista Enfermagem Contemporânea, Salvador, n 1, abr. 2021. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/3709. Acessado em: Ago. 2025.
Barros, F. S. Jr. et al. Perfil antropométrico de gestantes internadas com diagnóstico de pré-eclâmpsia grave. Journal of Nursing and Health, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/16812. Acessado em: Jul. 2025.
Brasil. Ministério da Saúde. 2007. Manual dos Comitês de Mortalidade Materna. Brasília, 2007.
Brasil. Ministério da Saúde (MS). Departamento de Informática do SUS - DATASUS. Brasília: 2025. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/. Acessado em: Jun. 2025.
Brasil. Ministério da Saúde (MS). Pacto nacional pela redução da mortalidade materna e neonatal. Brasília, 2004.
Brasil. Ministério da Saúde (MS). Síntese de evidências para políticas de saúde Estratégias para redução da mortalidade materna no estado do Piauí. Brasília, 2020. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/06/1096583/sintesemortalidadematernapiauifinal20maio2020.pdf. Acessado em: Jun. 2025.
Cortinhas, A. B. B. et al. Pré-eclâmpsia e mortalidade materna. Revista Cadernos de Medicina, n. 1, 2019. Disponível em: https://revista.unifeso.edu.br/index.php/cadernosdemedicinaunifeso/article-/view/1296/578. Acessado em: Set. 2025.
FUNDO DE POPULAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (UNFPA). A razão da mortalidade materna no Brasil aumentou 94% durante a pandemia. Fundo de População da ONU alerta para grave retrocesso. Brasil, 2022.
Dimitriadis, E.; Rolnik, D. L.; Zhou, W. Pré-eclâmpsia. Nature Reviews Disease Primers, v. 8, 2023. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41572-023-00417-6#author-information. Acessado em: Ago. 2025.
Duley, L. The Global Impact of Pre-eclampsia and Eclampsia. Seminars in Perinatology, 2009. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19464502/. Acessado em: Ago. 2025.
Duarte, E. M. S. et al. Mortalidade materna e vulnerabilidade social no Estado de Alagoas no Nordeste brasileiro: uma abordagem espaço-temporal. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, Recife, n. 2, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/c9S8WgmRKQhW5-TvrhR7RFmK/?format=pdf&lang=pt. Acessado em: Ago. 2025.
Figueiredo, E. R. L. et al. Infuence of sociodemographic and obstetric factors on maternal mortality in Brazil from 2011 to 2021. BMC Women's Health, n. 84, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38302949/. Acessado em: Ago. 2025.
Freitas Jr., R. A. O. Mortalidade materna evitável enquanto injustiça social. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant, Recife, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/jdXwst5w4p8jdY-4DFstbT5b/?format=pdf&lang=pt. Acessado em: Jul. 2025.
Godana, A. et al. Perinatal outcomes and their determinants among women with eclampsia and severe preeclampsia in selected tertiary hospitals, Eastern Ethiopia. Pregnancy Hypertension, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/375824888_Pe-rinatal_outcomes_and_their_determinants_among_women_with_eclampsia_and_severe_preeclampsia_in_selected_tertiary_hospitals_Eastern_Ethiopia. Acessado em: Jul. 2025.
Hofmeyr, G. J. et al. Calcium supplementation during pregnancy for preventing hypertensive disorders and related problems. Cochrane Database Syst Rev, n. 10, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24960615/. Acessado em: Jul. 2025.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). 3.Saúde e bem-estar. Nações Unidas, 2019.
Kahhale, S.; Francisco, R. P. V.; Zugaib, M. Pré-eclâmpsia. Revista de Medicina, São Paulo, n.2, 2018. Disponível em: https://revistas.usp.br/revistadc/article/view/143203/140802/. Acessado em: Jul. 2025.
Karrar, S.; Martingano, D. J.; Hong, P. Preeclampsia. StatPearls Publishing, Florida, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34033373/. Acessado em: Jul. 2025.
Laurindo, T. S. Perfil epidemiológico de mulheres que sofreram violência no estado do rio de janeiro entre 2009 a 2012. Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, Licenciatura em Enfermagem, p. 47, 2016. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/handle/1/3608. Acessado em: Ago. 2025.
Leal, L. F.et al. Maternal mortality in Brazil, 1990 to 2019: a systematic analysis of the Global Burden of Disease Study 2019. Rev Soc Bras Med Trop. 2022;55(Suppl 1):e0279. doi: 10.1590/0037-8682-0279-2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/RJxLnTJJPQbRb-RHdRMmjkvg/?format=html&lang=en. Acessado em: Nov. 2025.
Magee, L. A. et al. The 2021 International Society for the Study on Hypertension in Pregnancy classification, diagnosis & management recommendations for international practice. Pregn Hypert, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35066406/. Acessado em: Jun. 2025.
Marinho, C. S. R. et al. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: impacto de ações assistenciais e mudanças socioeconômicas e sanitárias na mortalidade de crianças. Cad. de Saúde Pública, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/FXMtLrXQYTcWfVBbzwbtpbh/?format=pdf&lang-=pt. Acessado em: Jun. 2025.
Marques, C. P. C. (Org.). Redes de atenção à saúde: A Rede Cegonha. São Luís: EDUFMA; 2016.
Medronho, R. A. et al. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu Ltda, 2009.
Melanda, V. S. et al. Sistematização da investigação do óbito materno: uma proposta de ferramenta para o monitoramento. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, n.2, 2014. Disponível em: https://espacoparasaude.fpp.edu.br/index.php/espacosaude/article/view/531/pdf_32. Acessado em: Jun. 2025.
Menezes, J. P. et al. Perfil epidemiológico da mortalidade materna por eclâmpsia entre 2009 e 2019 no Brasil. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, n. 6, 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/36405. Acessado em: Jun. 2025.
Ministério da Saúde. Sistema de Informações de Saúde: Conceitos e Aplicações. Brasília: Ministério da Saúde. 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_-brasil_2012.pdf. Acessado em: Jun. 2025.
Nações Unidas. Organização Mundial da Saúde. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. Décima Revisão (CID-10). 8.a ed. São Paulo: Edusp; 2000. Disponível em: https://www.who.int/standards/classifications/classification-of-diseases. Acessado em: Ago. 2025.
Oliveira, L. G. et al. Pre-eclampsia: Universal screening or Universal prevention for low and middle-income settings? Rev Bras Ginecol Obstet, Rio de Janeiro, n. 1, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/ddvv3jLPTYcYgSPJfyJzM6N/?format=pdf&lang=en. Acessado em: Ago. 2025.
Oliveira; L. G.; Karumanchi; A.; Sass, N. Pré-eclâmpsia: estresse oxidativo; inflamação e disfunção endotelial. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/BCrt46nLbnsMmNf3DxxB5mf/?format=pdf&lang=pt. Acessado em: Jun. 2025.
Pels, A. et al. Influence of gestational age at inititiation of antihypertensive therapy: secondary analysis of CHIPS trial data (controlo f hypertension in pregnancy study). Hypertension, n. 6, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29686009/. Acessado em: Jun. 2025.
Peraçoli, J. C. et al. Pré-eclâmpsia/eclâmpsia – Protocolo no. 01 - Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão e Gravidez (RBEHG); 2020. Disponível em: https://sogirgs.org.br/pdfs/pre_e-clampsia_eclampsia_protocolo_rbehg_2020.pdf. Acessado em: Jun. 2025.
Roberge, S. et al. Aspirin for the prevention of preterm and term preeclampsia: systematic review and metaanalysis. Am J Obstet Gynecol, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih-.gov/29138036/. Acessado em: Abr. 2025.
Rolnik, D. L D. et al. Prevention of preeclampsia with aspirin. Am J Obstet Gynecol, 2022. Disponível em: https://www.ajog.org/article/S0002-9378(20)30873-5/fulltext. Acessado em: Abr. 2025.
Santos, L. O. et al. Estudo da mortalidade materna no Nordeste Brasileiro, de 2009 a 2018. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saud-e/article/view/5858/4186. Acessado em: Abr. 2025.
Silva, I. H. V. T. et al. Perfil epidemiológico da mortalidade materna por eclâmpsia no Brasil no período de 2010 a 2020. Revista Eletrônica Acervo Científico; 2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/cientifico/article/view/11679. Acessado em: Abr. 2025.
Soares, V. M. N. et al. Mortalidade materna por pré-eclâmpsia/eclâmpsia em um estado do Sul do Brasil. Revista Brasileira De Ginecologia E Obstetrícia, 2009. Disponível em: https://www.scie-lo.br/j/rbgo/a/3w5d7zX5ZhqDzM8wF6tpc4R/?format=pdf&lang=pt. Acessado em: Abr. 2025.