LEITURA E ESCRITA COMO PRÁTICAS SOCIAIS NO BERÇÁRIO: UMA EXPERIÊNCIA À LUZ DO PROGRAMA LEEI
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Resumo
Este artigo apresenta e analisa uma experiência pedagógica realizada em um berçário, com crianças de 0 a 2 anos, com o objetivo de promover práticas de leitura e escrita concebidas como práticas sociais desde os primeiros anos de vida. A proposta integra o Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI), instituído pelo Governo Federal em 2025, que defende o contato precoce, cotidiano e significativo com a linguagem escrita em contextos reais e culturalmente relevantes. A concepção de leitura e escrita adotada baseia-se na perspectiva sociocultural, entendendo essas práticas não apenas como habilidades técnicas a serem desenvolvidas posteriormente na alfabetização formal, mas como formas de interação e produção de sentidos inseridas nas práticas sociais desde a infância. Mesmo fora do contexto escolarizado, as crianças interagem com diversos portadores de texto, atribuindo significados e desenvolvendo hipóteses sobre a linguagem escrita. A experiência organizou três ambientes na instituição: refeitório, parque e corredor. Cada espaço foi planejado para proporcionar múltiplas oportunidades de contato com a linguagem escrita, respeitando os interesses e a curiosidade natural dos bebês. No refeitório, as refeições eram acompanhadas por canções, narrativas e conversas que ampliavam o vocabulário e possibilitavam o contato com textos do ambiente, como cardápios ilustrados, etiquetas e cartazes com imagens e palavras. No parque, foram instalados painéis e placas com palavras, imagens e símbolos, permitindo às crianças associar signos visuais e textuais aos objetos e atividades. As brincadeiras ao ar livre tornaram-se ricas situações de letramento, articulando movimento corporal, exploração sensorial e contato com signos escritos. O corredor foi transformado em percurso interativo com cartazes, etiquetas nominais e desenhos acessíveis à altura das crianças, incentivando observação, apontamentos e hipóteses iniciais sobre as representações gráficas. A experiência foi conduzida com o acompanhamento da professora e da equipe pedagógica, que atuaram como mediadores das interações, respeitando o ritmo de cada criança e estimulando sua curiosidade. Embora não configurada como pesquisa empírica formal, a observação sistemática das interações e reações infantis forneceu indícios qualitativos relevantes quanto à eficácia das estratégias propostas. Os resultados evidenciam que é possível e desejável inserir práticas significativas de leitura e escrita já no berçário, desde que respeitadas as especificidades do desenvolvimento infantil e que as práticas pedagógicas sejam planejadas com intencionalidade, sensibilidade e conhecimento teórico. A experiência reafirma que o letramento não se limita à alfabetização formal, mas configura um processo contínuo de inserção cultural desde os primeiros anos. Por fim, a vivência corrobora as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os objetivos do Programa LEEI, ao demonstrar que políticas públicas, quando alinhadas aos saberes docentes e às necessidades infantis, podem favorecer trajetórias de aprendizagem mais ricas, significativas e socialmente referenciadas.
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